O jornal Correio do Povo publica na edição desta sexta-feira, 2 de julho, na página 4, artigo assinado pela secretária municipal de Educação, Cleci Jurach. Leia a íntegra:
Bullying: roupa nova, velhos problemas
As atitudes violentas ou de violência protagonizadas por jovens em espaços escolares não se caracterizam pelo novo, pelo inusitado, mas por uma realidade inegável e comum, que é trazida para o espaço escolar, refletindo o mundo e suas relações. Contemporaneamente, as rotinas escolares apontam a violência como marca e presença constante, representando a forma com que jovens se definem e se afirmam perante o outro, na qual os valores de convivência agem consoantes, muitas vezes, com os estímulos do meio.
A sociedade tem sido, por vezes, indiferente para com os que são socialmente frágeis e que muitas vezes adotam condutas violentas como forma de proteção e/ou imitação. Os comportamentos violentos, ou de violência nas escolas, nos remetem à necessidade de constituir ações e projetos dedicados às instituições na busca de encaminhamentos para a solução do problema.
Entendedora da possibilidade de buscar uma sociedade para além do discurso de respeito às diferenças, portanto de uma sociedade que caminhe para uma comunicação não-violenta e de reconhecimento da diversidade, a escola organizada e pensada pela Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (Smed) executa práticas que objetivam o real exercício da diferença. Não se trata de construção vazia e descontextualizada, mas de política embasada e construída a partir do contexto de nossas escolas e no que almejamos enquanto sociedade. De forma mais específica, citamos parte do plano político-pedagógico que passou pela Escola Cidadã, mostrando um cidadão de direitos e de deveres; a Cidade Educadora, mostrando que a educação é maior do que a escola e que outras instituições devem estar envolvidas neste processo; a Cidade que Aprende, mostrando que não sabemos tudo, o tempo todo, e que a aprendizagem é possível sempre; e, atualmente, O Conhecimento Fazendo a Diferença, apontando um resumo possível das políticas anteriores, ou seja, mostrando que conhecimento, aprendizagem, esclarecimento e educação, no sentido amplo das palavras, podem mudar efetivamente a face de uma sociedade.
A Smed entende que, para além da própria estruturação da sociedade, no sentido de organizar-se e insurgir-se efetivamente contra este fenômeno, também tem que dar conta deste importante desafio. Assim, a Rede de Ensino de Porto Alegre desenvolve políticas contra a violência há bastante tempo, em ações que envolvem professores, funcionários, alunos e seus familiares.
Não é de hoje, e nem porque agora a roupagem nova chama mais a atenção, que essas preocupações estão presentes em nossas mentes ou norteiam nossas políticas. Ao difundir uma cultura pela paz - expressa em cerca de 30 projetos permanentes que envolvem artes, esportes, estética, lazer, tecnologias e reflexão e protagonismo social –, desenvolvemos cotidianamente a solidariedade e o respeito às diferenças.
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