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Que seja feita JUSTIÇA!

Coluna publicada em 12/04/2010

    É corriqueiro ler em petições judiciais (ou modelos profissionais) antes do tradicional "nestes termos, pede deferimento", como forma de conclusão, o seguinte aforismo: que seja feita justiça! (sim, sempre com ponto de exclamação).

    E ao que parece e pelo que se viu, exaustivamente, na televisão é que a condenação do casal Nardoni foi exemplo para todos nós que é possível – ainda – se fazer justiça no país. Não pretendo fazer comentários a respeito do caso, mas algo se tomou como muito positivo para nós, operadores do Direito: a população continua acreditando na JUSTIÇA.
 
    Em nossa classe, muitas vezes, sofremos com "injustiças", sejam causas sob nosso patrocínio, seja pela opinião de pessoas que se sentem solidárias quando o caso concreto aponta para este sentimento.
 
O chavão "Justiça é cega e lenta" tornou-se popular, quase estampada em pára-choque de caminhão. Como explicar que se perdeu “uma causa quase ganha” aos olhos de quem desconhece a complexidade da aplicação da lei?
 
    Por isso que, não raramente, são noticiados casos de justiça feita pelas próprias mãos, geralmente, por linchamento popular. Por quê? Por que muita gente tem certeza que o criminoso não pagará pelo crime que cometeu, pois impera a lei não escrita de que a polícia prende e a justiça solta.
 
    Acredito que o caso Nardoni oferece uma oportunidade de trégua entre a sociedade e a Justiça brasileira. Até quando, não se sabe. Porém sabemos que o promotor que atuou no caso, Francisco Cembranelli, virou herói nacional sem ser atleta, nem modelo profissional. Simplesmente, por ter feito justiça!

 

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